quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Israel e a Revelação



(...) " Deus e homem, mundo e sociedade formam uma comunidade primordial do ser. A comunidade, com sua estrutura quaternária, é, e não é, um dado da experiência humana. Ela é um dado da experiência na medida em que ela é conhecida pelo homem em virtude de sua participação no mistério de sua existência. Ela não é um dado da experiência na medida em que ela não se dá da mesma forma que um objeto do mundo exterior, sendo conhecível apenas pela perspectiva da participação nela.

A perspectiva da participação deve ser compreendida em toda a sua qualidade perturbadora. Ela não significa que o homem, mais ou menos confortavelmente localizado na paisagem do ser, pode olhar à sua volta e enumerar o que ele vê, tão longe quanto sua vista alcança. Tal metáfora, ou variações comparáveis sobre o tema dos limites do conhecimento humano, destruiria o caráter paradoxal da situação. Ela sugeriria um espectador isolado, possuindo e conhecendo suas faculdades, no centro de um horizonte do ser, mesmo que o horizonte seja restrito. Mas o homem não é um espectador isolado. Ele é um ator, tem um papel no drama do ser, e, pelo puro fato de sua existência, ele é forçado a cumprir o seu papel sem saber qual é este papel. Já é perturbador quando um homem acidentalmente se coloca na situação de não estar bem certo de qual é o jogo e como ele deve se conduzir de modo a não estragar este jogo; porém, com sorte e habilidade, ele pode escapar da situação vergonhosa e voltar à rotina mais confortável de sua vida. A participação no ser, entretanto, não é um envolvimento parcial do homem; ele se envolve nisso com toda a sua existência, pois a participação é a própria existência. Não há nenhum ponto de vista além da existência de onde o seu significado possa ser visto e um curso de ação traçado de acordo com um plano, não há uma ilha abençoada onde o homem pode se retirar de modo a recapturar o seu ser. O papel da existência deve ser cumprido sem qualquer certeza de seu significado, uma aventura de decisões na fronteira entre a liberdade e a necessidade.

Tanto o papel quando o roteiro são desconhecidos. Mas é pior ainda, pois o ator não sabe com segurança quem ele é. Neste momento a metáfora da peça pode nos levar a erro, a não ser que a usemos com cuidado. Sem dúvida, a metáfora é justificada, e mesmo necessária, pois ela transmite a verdade de que a participação do homem no ser não é cega, e sim iluminada por sua consciência. Existe uma experiência da participação, uma tensão reflexiva na existência, que irradia o sentido da proposição: o Homem, em sua existência, participa do ser. Este sentido, entretanto, se perderá se esquecermos que o sujeito e o predicado da proposição são termos que explicam uma tensão da existência, e não conceitos que denotam objetos. Não existe um objeto chamado ‘Homem’ que participa do ‘ser’ como se fosse uma atividade opcional a ele; existe, sim, ‘algo’, uma parte do ser, capaz de se experimentar como tal, e também capaz de usar a linguagem e de chamar a esta consciência experimentante pelo nome de ‘Homem’. O ato de nomear é certamente um ato fundamental de evocação, de trazer à realidade, de constituir esta parte do ser como um parceiro distinguível na comunidade do ser. Mesmo assim, apesar do ato de evocação ser fundamental – pois ele forma a base de tudo o que o homem vai aprender sobre si mesmo ao longo da história – ele não é o ato de cognição. A ironia socrática da ignorância se tornou o exemplo paradigmático da consciência deste ponto cego no cento de todo o conhecimento humano sobre o homem. No centro de sua existência, o homem desconhece a si mesmo e não pode alterar esta situação; pois a parte do ser que se chama de homem só poderia se conhecer por completo se a comunidade do ser e seu drama no tempo fossem conhecidos por completo. A participação do homem no ser é a essência de sua existência, e esta essência depende do todo, do qual a existência é apenas uma parte. O conhecimento do todo, entretanto, é impedido pela identidade do conhecedor e do parceiro, e a ignorância do todo impede um conhecimento essencial da parte. Esta situação de ignorância do âmago decisivo da existência é mais do que meramente desconfortável: ela é profundamente perturbadora, pois das profundezas desta ignorância insolúvel se ergue a ansiedade da existência.

A ignorância insolúvel e essencial não é uma ignorância completa. O homem pode alcançar um conhecimento considerável sobre a ordem do ser, e a distinção entre o conhecível e o não-conhecível não é a menor parte deste conhecimento. Tal conquista, entretanto, é um produto tardio do longo processo de experiência e simbolização que é o assunto do presente estudo. A preocupação do homem com o significado de sua existência no campo do ser não fica contida nas torturas da ansiedade, ela se expressa na criação de símbolos que pretendem tornar inteligíveis as relações e tensões entre os termos discerníveis do campo. Nas fases iniciais do processo criativo os atos de simbolização são muito prejudicados pela multidão de fatos não explorados e problemas não resolvidos. Nada é muito claro além da experiência de participação e da estrutura quaternária do campo do ser, e esta claridade parcial tende a gerar confusão mais do que ordem, como forçosamente ocorre quando assuntos variados são acumulados em poucas categorias. Mesmo assim, na confusão destas fases iniciais existe método suficiente para permitir a distinção de características típicas do processo de simbolização.

A primeira destas características típicas é o predomínio da experiência da participação. O que quer que o homem seja, ele se conhece como uma parte do ser. A grande torrente do ser, na qual ele flui enquanto ela flui por ele, é a mesma torrente à qual pertence todo o resto que é visto em sua perspectiva. A comunidade do ser é experimentada com tamanha intimidade que a consubstancialidade dos parceiros se sobrepõe à separação das substâncias. Nós nos movemos em uma comunidade encantada, onde tudo o que se apresenta a nós tem força e vontade e sentimentos, onde os animais e plantas podem ser homens e deuses, onde homens podem ser divinos e deuses são reis, onde o céu da manhã é o falcão Horus e o Sol e a Lua são os seus olhos, onde a identidade subjacente do ser é o condutor de correntes mágicas de forças benévolas e malévolas que alcançam subterraneamente o mesmo parceiro inalcançável, onde as coisas são as mesmas e não são as mesmas, e podem se transformar umas nas outras.

A segunda característica típica é a preocupação com o duradouro e o passageiro (ou seja, a durabilidade e a transiência) nos parceiros da comunidade do ser. Apesar da consubstancialidade, existe a experiência da existência separada na torrente do ser, e as diversas existências são distinguidas por seus graus de durabilidade. Um homem perdura enquanto outros se vão, e ele se vai enquanto outros perduram. Todos os seres humanos se vão enquanto a sociedade da qual são membros perdura, e as sociedades se vão enquanto o mundo perdura. E o mundo não apenas é transiente em comparação com os deuses, mas talvez ele seja criado por eles. Sob este aspecto, o ser exibe uma hierarquia da existência, desde a humildade efêmera do homem até a eternidade dos deuses. A experiência da hierarquia fornece um dado importante do conhecimento sobre a ordem do ser, e este conhecimento, por sua vez, pode, e se torna, uma força que ordena a existência do homem. As existências mais duradouras, sendo as mais abrangentes, fornecem, por sua estrutura, uma moldura na qual a existência inferior deve caber, a não ser que esteja disposta a pagar o preço da extinção. Um primeiro raio de significado cai sobre o papel do homem no drama do ser quando ele percebe que o sucesso do ator depende de sua sintonia com as ordens mais duradouras e abrangentes da sociedade, do mundo, e de Deus. Esta sintonia, entretanto, é mais do que um ajuste externo às exigências da existência, mais do que um encaixe planejado em uma ordem ‘sobre a qual’ nós conhecemos. ‘Sintonia’ sugere a penetração do ajuste até o nível da participação no ser. O que perdura e passa, sem dúvida, é a existência, mas já que a existência é a parceria no ser, perdurar e passar revelam algo do ser. A existência humana é passageira, mas o ser do qual ela bebe não cessa com a existência. Ao existir, experimentamos a mortalidade; no ser nós experimentamos o que só pode ser simbolizado pela metáfora negativa da imortalidade. Em nossa separação discernível como existentes nós experimentamos a morte; em nossa parceria no ser, experimentamos a vida. Mas aqui outra vez alcançamos os limites que são determinados pela perspectiva da participação, pois perdurar e passar são propriedades do ser e da existência como se apresentam a nós na perspectiva de nossa existência; quando tentamos objetificá-los, nós perdemos mesmo o pouco que alcançamos. Se tentamos explorar o mistério da transiência como se a morte fosse uma coisa, não encontraremos nada além do nada que nos faz tremer com ansiedade, desde as profundezas da existência. Se tentamos explorar o mistério da durabilidade como se a vida fosse uma coisa, não encontramos a vida eterna, nos perdemos nas imagens de deuses imortais, de existência paradisíaca ou olímpica. Após nossas tentativas de exploração, somos devolvidos à consciência de nossa ignorância essencial. Mesmo assim, ‘conhecemos’ algo. Nós experimentamos a nossa própria durabilidade na existência, mesmo que passageira, assim como a hierarquia da durabilidade; e nestas experiências a existência se faz transparente, revelando algo do mistério do ser, o mistério do qual ela participa mesmo se não sabe do que se trata. A sintonia, portanto, será o estado da existência no qual ela está atenta àquilo que é duradouro no ser, quando ela mantém uma tensão de consciência de suas revelações parciais na ordem da sociedade e no mundo, quando ela ouve com atenção às vozes silenciosas da consciência e da graça na própria existência humana. Somos despejados para dentro e para fora da existência sem saber o Porquê ou o Como, mas enquanto estamos aqui, nós sabemos que somos do ser ao qual retornamos. Deste conhecimento surge a experiência da responsabilidade, pois apesar de que este ser, confiado ao nosso gerencialmente parcial na existência enquanto perdura e passa, possa ser adquirido pela sintonia, ele também pode ser perdido por descuido. Daí que a ansiedade da existência é mais do que um medo da morte no sentido da extinção biológica; ele é o horror mais profundo de perder, com a passagem da existência, o frágil apoio na parceria do ser que experimentamos como sendo nosso, enquanto a existência perdura. Na existência nós cumprimos o nosso papel na grande peça do ser divino que penetra a existência passageira de modo a redimir o ser precário por toda a eternidade.

A terceira característica típica do processo de simbolização é a tentativa de tornar a ordem do ser, essencialmente não-conhecível, em algo tão inteligível quanto possível através da criação de símbolos que interpretam o desconhecido por analogias com o realmente, ou supostamente, conhecido. Estas tentativas possuem uma história na medida em que a análise e a reflexão, ao responder à pressão da existência, geram símbolos cada vez mais adequados para o seu trabalho. Blocos compactos do conhecível são diferenciados em suas partes componentes, e o próprio conhecível é gradualmente diferenciado daquilo que é essencialmente não-conhecível. Portanto, a história da simbolização é uma progressão desde experiências e símbolos compactos até experiências e símbolos diferenciados. Já que este processo é o assunto de todo o livro, no momento mencionaremos apenas duas formas básicas de simbolização que caracterizam grandes períodos da história. Uma delas é a simbolização da sociedade e de sua ordem como um análogo do cosmos e de sua ordem; a outra é a simbolização da ordem social por analogia com a ordem de uma existência humana bem sintonizada ao ser. Sob a primeira forma a sociedade será simbolizada como um microcosmos; sob a segunda forma, como um macroantropos.

A primeira forma a ser mencionada é também a mais antiga. A razão disso é bastante clara e não requer explicações elaboradas, pois a terra e o céu são a ordem na qual a existência humana deve se encaixar, se quiser sobreviver, de uma forma tão impressionante, que o parceiro extraordinariamente poderoso e visível na comunidade do ser inevitavelmente se apresenta como uma possível fonte e modelo de toda a ordem, incluindo a ordem do homem e da sociedade. De qualquer maneira, as civilizações do Oriente Médio que serão estudadas na Parte I deste estudo simbolizaram a sociedade politicamente organizada como um análogo cósmico, um cosmion, ao permitir que ritmos vegetativos e revoluções celestes funcionassem como modelos para a ordem estrutural e procedimental da sociedade.

O segundo símbolo ou forma – a sociedade como um macroantropos – tende a aparecer quando os impérios cosmologicamente simbolizados se dissolvem e em seu desastre solapam a confiança na ordem cósmica. A sociedade, apesar de sua integração na ordem cósmica, se desgovernou; se o cosmos não é a fonte da ordem duradoura na existência humana, qual é a fonte desta ordem? Neste momento a simbolização tende a se voltar para aquilo que é mais duradouro do que o mundo visível – ou seja, para o ser invisível que existe além de todos o ser da experiência tangível. Este ser invisível divino, transcendente a todo o ser do mundo e ao próprio mundo, só pode ser experimentado como um movimento na alma do homem; e por isso a alma, quando sintonizada ao deus invisível, se torna o modelo da ordem que fornecerá os símbolos para a organização da sociedade de forma análoga à sua imagem. A transição até a simbolização macroantrópica se torna manifesta na diferenciação da filosofia e da religião desde as formas precedentes, mais compactas, de simbolização, e ela pode ser empiricamente observada, de fato, como um evento na fase da história que Toynbee classificou como o Tempo das Tormentas. No Egito, a ruptura social entre o Antigo e o Médio Reinos testemunhou o crescimento da religiosidade de Osíris. Na desintegração feudal da China surgem as escolas filosóficas, especialmente as de Lao-tsé e Confúcio. O período de guerras antes da fundação do Império Maurya é marcado pelo aparecimento do Buda e do Jainismo. Quando o mundo da pólis helênica desapareceu, apareceram os filósofos, e os problemas posteriores do mundo helênico foram marcados pelo surgimento do Cristianismo. Seria temerário, no entanto, generalizar este evento típico de modo a formular uma ‘lei’, pois existem complicações nos detalhes. A ausência de tal transição durante a desintegração da sociedade babilônica (tanto quanto as fontes escassas permitem-nos julgar) sugere que a ‘lei’ deve ter ‘exceções’, enquanto que Israel aparentemente alcançou a segunda forma de simbolização sem qualquer conexão clara com uma ruptura institucional específica, ou desintegração social subseqüente.

Uma outra característica típica nos primeiros estágios do processo de simbolização é a consciência do homem do caráter analógico de seus símbolos. Esta consciência se manifesta de diversas formas, correspondendo aos diversos problemas de cognição através de símbolos. A ordem do ser, permanecendo na área da ignorância essencial, pode ser simbolizada analogicamente usando-se mais de uma experiência da ordem parcial na existência. Os ritmos da vida das plantas e dos animais, a seqüência das estações, as revoluções do sol, da lua, e das constelações podem servir como modelos para a simbolização analógica da ordem social. A ordem social pode servir como um modelo para a simbolização da ordem celeste. Todas estas ordens podem servir como modelos para a simbolização da ordem no reino das forças divinas. E as simbolizações da ordem divina podem, por sua vez, ser usadas para a interpretação analógica das ordens existenciais no mundo.

Nesta rede de elucidação mútua, inevitavelmente ocorrem símbolos concorrentes e conflitantes. Estas concorrências e conflitos serão considerados, por longos períodos, como não problemáticas pelos homens que as produzem; as contradições não geram desconfiança na verdade dos símbolos. Se algo é característico da história primitiva da simbolização, é o pluralismo na expressão da verdade, o reconhecimento e tolerância generosos que se estendem a simbolizações rivais da mesma verdade. A auto-interpretação de um império primitivo como o único e verdadeiro representante da ordem cósmica na terra não é de forma alguma abalada pela existência de impérios vizinhos que se engajam no mesmo tipo de interpretação. A representação de uma divindade suprema sob um nome e forma especiais em uma cidade-estado da Mesopotâmia não é abalada por uma representação diferente em uma cidade-estado vizinha. E a mistura de diversas representações que ocorre quando um império unifica várias cidades-estado que eram independentes, a mudança entre representações que ocorre quando há uma troca de dinastias, a transferência de mitos cosmogônicos de uma divindade para outra, e assim por diante, mostram que a variedade de simbolizações é acompanhada por uma vívida consciência da unidade da verdade que o homem tenta representar por meio de seus diversos símbolos. Esta tolerância primitiva é preservada por muito tempo no mundo greco-romano, e encontra sua expressão máxima no ataque de Celso ao Cristianismo, como o perturbador da paz entre os deuses.

A tolerância primitiva reflete a consciência de que a ordem do ser pode ser representada analogicamente de mais de uma forma. Cada símbolo concreto é verdadeiro na medida em que vislumbra a verdade, mas nenhum deles é completamente verdadeiro, pois a verdade sobre o ser escapa ao alcance humano. Nesta penumbra da verdade cresce a rica flora – luxuriante, confusa, assustadora, e encantadora – das histórias sobre deuses e demônios e suas influências organizadoras e desorganizadoras na vida do homem e na sociedade. Existe uma liberdade magnífica de variação sobre, e elaboração de, temas fundamentais, cada novo crescimento e desenvolvimento adicionando uma faceta ao grande trabalho de analogia que cerca a verdade invisível; é a liberdade que, no nível da criação artística, ainda infunde o trabalho de Homero, a tragédia do século V a.C., e a mitopoeia de Platão. Esta tolerância, no entanto, alcança o seu limite quando a consciência do caráter analógico da simbolização se sente atraída pelo problema da adequação maior ou menor dos símbolos ao seu propósito de fazer transparecer a ordem verdadeira do ser. Os símbolos são muitos, mas o ser é um só. A própria multiplicidade de símbolos, consequentemente, pode ser experimentada como uma inadequação, e pode haver tentativas de organizar a multiplicidade de símbolos em uma ordem racional e hierárquica. Nos impérios cosmológicos estas tentativas assumem a forma típica da interpretação da multiplicidade de divindades locais como aspectos de um deus imperial supremo. Mas o sumodeísmo político não é o único método de racionalização. As tentativas também podem assumir a forma mais técnica da especulação teogônica, deixando que os outros deuses se originem através da criação de um único deus realmente supremo, como por exemplo na Teologia de Mênfis, datada do terceiro milênio a.C. Estes avanços especulativos na direção do monoteísmo parecerão anacrônicos aos historiadores que querem discernir um progresso claro e simples desde o politeísmo até o monoteísmo, e já que os fatos não podem ser negados, as instâncias primitivas serão consideradas ‘precursoras’ das formulações posteriores e mais legítimas de monoteísmo, a não ser que, como um esforço ainda maior de racionalização, se busque comprovar uma continuidade histórica entre o monoteísmo israelita e Ikhnaton, ou entre a filosofia do Logos e a Teologia de Mênfis. Estes avanços primitivos parecerão menos surpreendentes, no entanto, e a busca de continuidades se tornará menos urgente, se percebermos que a diferença rígida entre politeísmo e monoteísmo, sugerida pela exclusão lógica entre o um e o múltiplo, na verdade não existe. Pois a brincadeira livre e imaginativa com uma pluralidade de símbolos só se torna possível porque a escolha de analogias é apreendida como relativamente irrelevante em comparação com a realidade do ser que elas tentam descrever. Em qualquer politeísmo existe um monoteísmo latente que pode ser ativado a qualquer momento, com ou sem ‘precursores’, se a pressão de uma situação histórica encontra uma mente sensível e ativa. (...) "

(VOEGELIN, Eric. Israel e a Revelação. A Simbolização da Ordem)

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